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Autorresponsabilidade profissional, qual é a sua? 

Autorresponsabilidade é uma das habilidades mais importantes para construir uma carreira de sucesso. 

Inegavelmente, quando nos responsabilizamos por nossas escolhas e atitudes, em todos os níveis de nossa vida profissional, tomamos decisões mais conscientes e assertivas. 

Ainda que nem tudo dependa exclusivamente de nossas escolhas, exercer a autorresponsabilidade naquilo que depende de nós faz toda a diferença.  

Quando começa a ser autorresponsável?

Quando você é criança suas escolhas, muitas vezes, seriam apenas as brincadeiras, os jogos e as companhias, tão saudáveis e importantes como qualquer outro compromisso.

Porém, os adultos lhe demandam outras responsabilidades.

Por certo, é aí que começa a se formar seu senso de autorresponsabilidade. Inicialmente, com coisas cotidianas, como hora de dormir, hora de acordar, tarefas da casa e tarefas da escola. 

Mais tarde, vem as demandas individuais, como estudar, procurar trabalho, administrar tempo e dinheiro, por exemplo.  Mas, isso é só um pequeno panorama de como essa habilidade entra em nossas vidas. 

A questão aqui é o nível de autorresponsabilidade que desenvolvemos a partir desses aprendizados e o empregamos em nossa vida profissional, ou seja em nosso planejamento de carreira.

Você desenvolve a autorresponsabilidade para além das tarefas cotidianas?

Se temos o privilégio de crescer com educação e segurança, raramente somos educados para desenvolver o autoconhecimento, a gestão das emoções e, consequentemente, a autorresponsabilidade.

É muito comum que as inúmeras responsabilidades que vamos assumindo ao longo de nossa trajetória nos leve a fazer escolhas que não são bem aquelas que queríamos, inclusive porque simplesmente não  sabíamos o que, de fato, queríamos. 

Não aprendemos a desenvolver um olhar mais apurado e entender a autorresponsabilidade em suas diversas camadas, tais como:

  • das atitudes
  • do autoconhecimento
  • dos propósitos
  • da estratégia
  • da comunicação 
  • das demandas de trabalho
  • do planejamento de carreira

A lista não tem fim. A autorresponsabilidade está presente em tudo o que fazemos. De fato, começa com as pequenas atitudes e tarefas cotidianas, se desenvolve com base na consciência do que se quer, e se expande para qualquer plano mais elaborado a que nos propomos.  

Além disso, não vamos sozinhos, a autorresponsabilidade é coletiva. Nossas decisões e escolhas impactam nossas vidas e a de outros. Ou seja, uma gama de intenções precisa ser adicionada neste pacote, como equilíbrio, respeito, empatia, consideração e outras.

Sua autorresponsabilidade não anda sozinha 

Então, se exercitamos a autorresponsabilidade e nos comprometemos com nosso desenvolvimento profissional, podemos criar o hábito de comunicar esses projetos para as pessoas envolvidas. 

Por exemplo, como líder, o exercício de autorresponsabilidade inclui a gestão comportamental. À medida que uma liderança assume seu papel de integrar colaboradores e otimizar relações, as condições de trabalho melhoram para ambas as partes. 

Similarmente, no caso de mapeamentos de perfis, processos e avaliações. Um perfil influente entrega suas demandas de uma forma e um perfil de conformidade de outra. Nesse caso, faz parte do exercício de autorresponsabilidade da liderança saber o que precisa. 

Isso vale para qualquer ferramenta, o nosso exemplo é o de perfis comportamentais, mas o ponto é que a liderança tem como tarefa de autorresponsabilidade difundir os meios adotados e certificar-se que todos estão falando a mesma linguagem. Caso contrário, não há mapeamento, processo, avaliação que seja efetiva.  

Como falamos, são muitas camadas, o exercício é ir adicionando a habilidade da autorresponsabilidade a cada uma delas. 

Esse é nosso trabalho, ajudar a identificar as muitas camadas para trabalhar habilidades. 

Vamos?

Desconectar para restaurar: você precisa!

Restaurar, reajustar e reparar são alguns sinônimos do verbo resetar, aquele momento singular de parar e desconectar.

A definição de resetar é “desligar e religar um computador ou equipamento, por falha ou incorreção no seu funcionamento, fazendo-o funcionar corretamente.”

Algo que você faz com frequência em seus equipamentos, certo?

Você desliga, suspende, reinicia, formata e, sempre que começa a travar, você dá um resetar.

Porém, quando diz respeito a sua mente, seu físico e seu emocional, você tem tirado um tempo para esse reset?

O tempo não para

Estamos sempre conectados, mesmo quando tentamos não estar.

Em momentos de lazer, por exemplo, quando saimos para caminhar, carregamos aparelhos que contam nossos passos e rodam nossas playlists. Desta forma, permancemos conectados.

As demandas do mundo da conexão chegam a toda hora, de todos os lados e sobre todos os assuntos. Não há meios de separar a metade trabalho da metade descanso, ou a informação do silêncio.

Igualmente, na hora de dormir, tem o despertador, o app da meditação, o das músicas para relaxar, o das chamadas dos filhos, familiares e das possíveis emergências.

Tudo na palma da mão.

Para ter um recurso, você precisa carregar todos outros – seus ambientes de trabalho enstão sempre presentes na valise portátil que carregamos 24h por dia.

Você já encerrou o expediente e se questiona: ‘será que aquele relatório que estou esperando está disponível?’

A decisão de conferir depende apenas de você. Então, pronto, você decidiu checar.

No momento em que você faz isso, você aciona toda uma demanda mental e volta a se conectar com o seu ambiente de trabalho, uma armadilha comum na cultura da transformação digital.

Não há marcadores para separar a área de trabalho da área de descanso.  A decisão de como conduzir essa relação é, antes de tudo, sua.

Você está ciente disso? Em que momento você consegue realmente desligar e, por fim, restaurar-se?

O importante é considerar essa relação como parte de seu planejamento e não apenas quando você começa a travar e dar sinais de esgotamento.

Nem um lugar nem outro

Mas parece que não tem jeito, essa é a vida como ela é: digital, conectada e omnisciente.

Mesmo planejando, há momentos em que não vamos resistimos e vamos espiar. Afinal, não somos de ferro e, por outro lado, há benefícios.

Gostamos de saber que um relatório está disponível para planejar os próximos passos.

No entanto, isso amplia o campo das decisões e a demanda da autorresponsabilidade. A chave passa a ser a disciplina, bem como os hábitos e sistemas de trabalho que implementamos.

Portanto, procure organizar horários, espaços e rituais que separem um momento de outro, e cumpra o plano.

Mas tudo bem, quando não der para cumprir, nada de se culpar. Procure revisar, restaurar e achar seu ponto de equilíbrio. Sobretudo, esteja presente. Assim como o trabalho invade a hora de parar, as paradas facilmente invadem o horário de trabalho e não estamos presentes nem em um lugar e nem noutro.

Não trabalhamos bem porque paramos a toda hora. Não descansamos porque na hora de descansar não paramos de pensar em trabalhar.

De certa forma, sempre foi assim, mas agora, nossos escritórios estão na sala de casa, no quarto, ao lado da cozinha, na palma da mão. Estamos permanentemente há alguns cliques de nossas demandas de trabalho.

Por certo, há mais por administrar e precisamos tomar consciência disso, ao contrário de apenas fazer por fazer.

Estamos aprendendo sobre modos remotos e híbridos de trabalho, sobre a transformação digital, assim como estamos ensinando nossa cognição a operar dentro desse universo da ultra conexão.

É um leque de decisões na palma de nossas mãos. Não é apenas sobre o que fazer, mas sobre como fazer.

Quantidade ou qualidade?

Se a ideia é sobre como fazer, não seria o caso de privilegiar a qualidade?

Nesse universo de tanta informação, em que desconectar se tornou tão difícil e raro, não seria mais assertivo priorizar a qualidade em detrimento de quantidade.

Sabemos que nem sempre podemos pensar assim. Quantidades são importantes para os algoritmos, por exemplo. A demanda por presença e por conexão é imensa. Por isso, o desafio é ainda maior.

Como agregar qualidade às demandas de trabalho e ambientes de trabalho, produzir em quantidade e ainda desconectar para restaurar a mente, o físico e o emocional?

Esse é um desafio que a Gente Genuína considerar nas mentorias, consultorias e mapeamentos de perfis.

Se gerenciamos bem essa relação entre conectar e desconectar, usufruímos melhor dos benefícios da transformação digital e da tecnologia que deve trabalhar a nosso favor e não ao contrário.

Empatia: o poder de mudar

“Empatia é a arte de se colocar no lugar do outro por meio da imaginação, compreendendo seus sentimentos e perspectivas e usando essa compreensão para guiar as próprias ações.” (Roman Krznaric).

Nesta série de artigos sobre competências da inteligência emocional, primeiro falamos de autoconhecimento (e autoconsciência) e, depois, de gestão das emoções. Agora, é a vez da empatia. 

Abrimos o artigo com a definição de um filósofo e historiador da cultura, pois essa ação,  é mais recente em nosso cotidiano. 

Analogamente, autoconhecimento é mais auto explicativo, gestão, mais comum em várias áreas. Por outro lado, o senso de empatia ainda parece estar em construção. 

Quer dizer, é hora de olhar para fora, e não apenas isso, é preciso colocar-se no lugar do outro, ou da outra, certo?

Então vamos falar aqui sobre como entender a empatia; sobre os 6 hábitos das pessoas empáticas; e, o porquê da empatia ser considerada  uma competência emocional.  

Aplique a regra de ouro, só que não!

A conhecida Regra de Ouro “não faça aos outros o que não quer que façam a você” e suas  versões: “e tal como quereis que convosco procedam as pessoas, procedei com elas do mesmo modo” Lucas (6,31); e, “tudo quanto quiserdes que vos façam as pessoas, assim fazei vós a elas”, Mateus (7,12) são orientações de valores morais, não definem  empatia.

Empatia não é sobre você, ou o que você quer ou não quer. É mais que isso, é sair do seu querer e colocar-se no querer de outra pessoa.

Ou seja, ao tentar acessar essa perspectiva (que não é a sua), e tentar colocar-se na pele de alguém, você faz mais do que aplicar seus valores, você busca entender a situação a partir dos valores dessa outra  pessoa.

O desafio é compreender a situação  do ponto de vista de quem está vivendo a emoção.

Nesse sentido, é uma forma de comunicação. Em um nível mais profundo, você procura entender de que perspectiva, contexto, base emocional, aquela pessoa está falando.

Porém,  tem uma pitada da regra de ouro, sim. Essa é a razão pela qual a empatia é uma das 4 competências emocionais, pois você precisa acessar suas emoções como para compreender a emoção vivida por outra pessoa. 

Por isso, precisamos de autoconsciência e gestão das emoções. Na empatia, ‘eu e você’ somam em ‘nós’ mas apenas se você souber sobre você.

Caso contrário, corre o risco de virar uma mera transferência de lado. Uma pessoa joga a emoção para outra.

O ‘nós’, que é a conexão gerada na comunicação empática, é a chave para a empatia.

Então,  qual o caminho para se ter essa habilidade da inteligência emocional?

6 Hábitos para cultivar a empatia 

O filósofo Roman Krznaric, o mesmo da definição do início do artigo (lembra?) aponta seis hábitos de pessoas extremamente empáticas. Nós adaptamos a definição  desses hábitos para falar como você pode desenvolver a habilidade da empatia.

  1. Acione o cérebro empático: 

A empatia está no cerne de nossa natureza, assim como a comunicação. Procure reconhecer quando ela se manifesta e, então, ative, desenvolva e cultive.

  1. Soltar a imaginação:

Busque em suas experiências de vida situações semelhantes àquelas das pessoas diante de você. Estabeleça pontes e pratique os hábitos listados no item 3. 

  1. Ler, ouvir e assistir histórias: 

Através de histórias fictícias, ou não, ampliamos nossas vivências. Quando as diversificamos, com diferentes referenciais culturais, aprendemos sobre  situações desconhecidas. 

  1. Conversar ativamente

Assim como na arte e literatura,  as histórias das pessoas em nosso entorno ajudam a expandir nossos pontos de vista. A curiosidade e capacidade de praticar a escuta ativa são meios de desenvolver a empatia.

  1. Aventurar-se: 

O contato com vidas e culturas diferentes enriquece  nosso olhar. Eventos,  viagens (mesmo perto de casa) e trabalhos de cooperação social nos colocam em contato com outras culturas e expandimos  nossas perspectivas.

  1. Ser uma inspiração: 

As pessoas que desenvolvem esses hábitos, acabam por inspirar outras por sua  capacidade de conectar-se e de ter empatia.

Empatia é uma competência

Como falamos na seção anterior, a empatia está no cerne da natureza humana. 

Muito provavelmente, desenvolvemos mais facilmente com pessoas próximas, amigas ou que tenham vivido experiências semelhantes às nossas. 

No entanto, a empatia como competência emocional vai além da conexão com situações conhecidas.

Além disso, como competência, é uma reconhecida habilidade profissional, que é nosso foco aqui. Sem minimizar sua importância em outras instâncias de nosso convívio social, a empatia é um diferencial em qualquer área de gestão de uma organização.

Essa capacidade de conexão gera uma melhor experiência de trabalho e  resulta em mais produtividade devido a qualidade das relações. 

É uma habilidade valiosa nos ambientes de trabalho.

Ao integrar a empatia na comunicação, você estabelece relações de confiança e lealdade e abre espaço para desenvolver aspectos importantes de sua vida, como a criatividade e a liberdade de inovar. 

Essa é a força da empatia como competência. É também uma forma de expandir e inspirar. 

Não deixe de praticar. Faz toda a diferença e faz parte do trabalho da Gente Genuína.

Vem saber mais sobre isso!

Referências:

O Poder da Empatia – Roman Krznaric, editora Zahar, 2015.

A Regra do Ouro e a pandemia – Adriana Novais, Estadão, 2021.